quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Contribuição Feminina

Um pequeno testículo de contribuição feminina!


Violência, bárbarie, intolerância...
...e eu poderia continuar citando uma diversidade de palavras na tentativa de descrever o que vem acontecendo: atentado a homossexual em parada gay no Rio, agressões a jovens na Avenida Paulista, morre jovem agredido com taco de beisebol em livraria. Tenho certeza que, pelo menos uma vez, você deve ter pensado "mas o que está acontecendo?" (o famoso "que porra é essa?" também se aplica).

Seja o fim do mundo ou da humanidade das pessoas, o que mais me preocupa é a naturalidade com que a maioria das pessoas recebe esse tipo de notícia, quando não apoiam! O absurso é esse! Não, meus caros, temos de nos espantar, revoltar, desacreditar quando vimos ou ouvimos esse tipo de barbárie, essa violência absurda e intolerante, essa mentalidade preconceituosa, uns podem considerar eugenia, outros genocídio, desde que não aceitem, como eu.

E tudo isso me faz lembrar o trecho de um belo livro, A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, o qual deixo para a reflexão:
"A civilização é a violência dominada, a vitória sempre inacabada contra a agressividade do primata.
 
 
Amelie

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Na falta de...

Criatividade e inspiração, nós ficamos com a dos outros!

Então, um sugestão de banda pra galera que gosta de uma música meio folk, meio indie...

Descobri há pouco tempo uma banda do Reino Unido chamada Mumford and Sons.

Além das boas músicas usando bandolin, tchelo e afinações totalmente alternativas, os clipes em si são bem feitos, ao menos no meu gosto. Tanto na qualidade da imagem como nos figurinos, cenários, etc.

Aqui dois vídeos deles, espero que gostem!!!



sábado, 6 de novembro de 2010

Intolerância Religiosa (V)


Infelizmente (ou felizmente) o final de ano consome todo e qualquer tempo livre de nós, universitários brasileiros. Por esse e outros motivos a minha presença por aqui tem sido escassa (acredito que a ausência de meus colegas seja pelo mesmo motivo). Pois bem, nos últimos dias estou entretido em meio a um levantamento de notícias para minha pesquisa de iniciação científica. Tendo como foco o episódio do "chute na santa", tenho lido jornais do ano de 1994, 1995 e 1996 majoritariamente.



Em meio a essas leituras me deparei com um artigo do então deputado federal José Genoíno (PT) que, ao meu ver, é bastante atual. Como não tenho o tempo necessário pra escrever algo digno, amenizo a minha ausência reproduzindo o artigo logo abaixo.

Jornal do Brasil, 30 de outubro de 1995

Guerra Santa e tolerância
José Genoino


O fim da Guerra Fria e a desvalorização do conflito ideológico parece que estão abrindo espaço para outras formas de intolerância neste final de século. Alguns teóricos chegam a projetar que o século 21 será recortado por conflitos civilizacionais. Estrategistas ocidentais vêem no islamismo o novo "grande mal" que ameaça os fundamentos da civilização greco-romana-cristã. A exacerbação dos conflitos étnicos é outra manifestação de intolerância, de desorientação em relação a valores universais e de anomia. O desespero social, o individualismo anti-social, a perda de sentido da vida em sociedade política etc., são ingredientes que alimentam o conservadorismo e todas as formas de fanatismo. Nesse final de século, as pessoas parecem estar mais dispostas a se refugiarem no seu gueto a buscar alternativas de reconstrução de uma comunidade política democrática. A chamada "guerra santa", envolvendo a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Católica está carregada por esses condicionamentos que marcam o presente.

Aparentemente, o conflito entre as duas igrejas não teria razão de ser. Ambas são herdeiras da mesma orientação e comungam os mesmos valores religiosos e civilizacionais. Mas, há séculos, foi-se o ecumenismo dos primeiros cristãos. Todo o cristianismo institucionalizado em igreja, a exemplo de qualquer outra religião, repudia o ecumenismo na medida em que prega a sua crença como a única verdadeira. Por princípio, a religião institucionalizada, ao absolurizar a sua "verdade" como a verdade, detrata um dos direitos fundamentais da pessoa humana que é o da liberdade de convicção. Se as igrejas se toleram uma às outras é graças à imposição do Estado.

No Brasil sempre houve uma ligação entre Estado e Igreja. A Igreja Católica ocupou e ocupa espaços, influencia decisões de governo a partir da ótica religiosa, estabelece vínculos valorativos com as normas institucionais e pressiona pela vigência do ensino religiosa nas escolas. A própria constitucionalização do nome de Deus expressa a intervenção da igreja nos assuntos do Estado. Mais recentemente, várias igrejas se lançaram numa renhida disputa pelo controle dos meios de comunicação. Rádio e TVs são instrumentos poderosos de influência e de poder político. A partir deles, as igrejas não interferem apenas nos assuntos de fé, mas articulam interesses políticos em favor de grupos, partidos e candidatos. Num Estado laico, defensor do princípio do pluralismo religioso, como deve ser o Estado democrático, essa ingerência das igrejas nos assuntos políticos é algo inaceitável e perigoso. Corre-se o risco de politização das disputas religiosas.

Quando as igrejas se lançam na disputa pelo poder, fere-se a religiosidade dos indivíduos, pois esta se fundamenta na experiência intuitiva da fé e a disputa pelo poder desloca o respeito ao pluralismo em nome do autocentrismo. A intromissão de uma igreja ma disputa de poder não representa apenas um desrespeito a outras religiões, mas também aos indivíduos que não professam nenhuma religião. A agressão a símbolos religiosos também agride o direito humano da liberdade religiosa e estimula o sectarismo, a intolerância e o absolutismo da crença. A reiteração dessa prática agressiva, seja por palavras ou atos, principalmente quando assume dimensões de massa, pode estimular o extravasamento de outros instintos agressivos da população.

Diante da potencialização da intolerância religiosa, o poder político, particularmente o Legislativo, deve monitorar esse conflito e, se necessário, instituir nova legislação mais rígida para coibir as manifestações de intolerância. Acredito que é preciso também reexaminar a relação das igrejas com os meios de comunicação e a instrumentalização da política que fazem de rádios e TVs. Quanto às igrejas, espera-se que sejam tolerantes umas com as outras e que respeitem a liberdade de consciência dos indivíduos não apenas porque os preceitos legais assim exigem.

A tolerância vincula-se ao respeito ao direito que cada um tem de professar a sua própria verdade e a sua liberdade de convicções. Como bem ensina Noberto Bobbio, a tolerância é um método universal de "convicência civil" e, acrescente-se, religiosa. Só ela permite a recusa consciente à violência, a instauração da confiança na razão, caminho pelo qual as idéias podem triunfar pela luz iluminadora do diálogo. Se há uma verdade, ao menos no âmbito social e político, ela é uma verdade compartilhada a partir de opiniões diversas. A intolerância verbal e física manifesta a impotência de argumentos e uma falsa confiança nas próprias crenças de quem recorre a esses métodos para fazer valer suas opiniões.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Seja bem-vinda, Presidenta

Desde Princesa Isabel, nunca mais tivemos uma mulher à frente dos rumos da nação. No Brasil repúblicano, o fato é inédito. E me alegra que tenha se dado em contexto democrático, ainda que discorde de muitas das diretrizes do partido vencedor (no qual votei neste segundo turno por discordar ainda mais do outro). No que tange às medidas políticas, confesso que me é indiferente se o governante, individualmente, é homem, mulher, branco, negro ou indígena. Um governante homem de um partido simpático às bandeiras feministas tenderia a adotar mais políticas afirmativas de gênero que uma governante mulher de um partido mais conservador.

O que me alegra, especialmente nesse momento de ressaca eleitoral, é o significado simbólico de um país de raizes culturais conservadoras elevar ao poder, pelas vias democráticas, uma mulher. É claro que, para tal, ela precisou se valer de uma estrutura partidária consolidada, de um cabo eleitoral forte, de um marketing eficiente - e despolitizante - e de alianças duvidosas. Não se trata, portanto, de um elogio à política petista, mas de admitir que surgiu em mim uma esperança de que tudo aquilo de desprezível que enumerei no post anterior seja um dia superado. A eleição de Dilma não tem, evidentemente, a força (não só) simbólica de subversão que foi a eleição de Evo Morales na Bolívia. Mas não podemos desprezar que termos nossa primeira presidenta (gosto do caráter enfático do gênero desse termo) possui seu significado e suas conseqüências a serem refletidas.

Quanto aos rumos políticos do país, parece que pouco muda com Dilma - e a real esquerda não deve baixar a guarda. Quanto ao machismo cultural da sociedade, parece que algo pode mudar. Lutemos para isso.

Seja bem-vinda, presidenta.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Conservadorismo e machismo


Recentemente, escrevi um post em que discutia sobre a existência de uma onda conservadora no Brasil. Um assíduo comentarista deste blog me escreveu um e-mail contestando meu argumento, e um dos pontos levantado foi dizer que ondas vêm e vão, e o conservadorismo nunca saiu do Brasil. Concordei com esse ponto, embora reconheço que nem eu, nem Chico Alencar, nem Marina Silva, nem o editorial da Istoé, usou o termo 'onda' nesse sentido, mas talvez em um sinônimo de 'fenômeno político-cultural que se fortalece'. No caso do conservadorismo, concordo que sempre foi forte, mas nessas eleições parece ser explicitado de uma maneira bastante enfática.

Antes de abordar dois casos lamentáveis inscritos nesse conservadorismo que se explicita cada vez mais, vou tentar esboçar uma breve definição. Entendo o conservadorismo, na nossa sociedade ocidental, como uma feição cultural - de implicações políticas relevantes - atrelada à manuntenção, à conservação, de valores historicamente construídos, como o machismo, a homofobia, o preconceito de classe, o preconceito étnico, um apego nostálgico à cristandade (o tempo em que a Igreja se confundia com o Estado e impunha seus valores a todos os setores da sociedade) e, como conseqüência, um medo da emergência de posturas políticas desconstrutoras de alguns dos valores que se quer conservar, bem como em relação às suas implicações legais e políticas.

As eleições recentes, portanto, vêm dando uma aula prática de conservadorismo, por parte dos dois candidatos que concorrem à presidência, talvez um pouco mais por parte de um que da outra, mas por ambos de todo modo.

Nesse contexto, encontra-se o primeiro caso, o mais sutil, que quero abordar aqui: a declaração de José Serra pedindo que cada menina bonita conquiste 15 votos de seus pretendentes para sua campanha. Ninguém nega que há um padrão cultural de beleza que se impõe às mulheres (e aos homens também, claro), sempre alimentado pelo mercado da moda e dos produtos de beleza através da publicidade e dos meios de comunicação, levando, nos casos mais extremos, à anorexia e bulimia por parte daquelas que incorporam de uma maneira mais radical essas imposições. Assim, há, objetivamente, um padrão de beleza feminina alimentado pelo mercado (não originado por ele) que gera consequencias psicologica e fisicamente trágicas. Os movimentos feministas, dentre outras reivindicações, visam a desconstrução desses valores culturais, assim como do valor negativo, histórico, da mulher enquanto objeto masculino, instrumentalizada para fins diversos. A declaração de José Serra, apesar de não trazer tão explicitamente esse tipo de postura condenável, legitima - pois se trata de um homem público, presidenciável - alguns valores conservados que se quer desconstruir. É lamentável esse tipo de declaração por parte de um candidato à presidência. O caso, evidentemente, não foi perdoado pelos twitteiros.



Mas, infelizmente, não foi este, nem de longe, o caso mais entristecedor da semana. A opressão das mulheres, em especial daquelas que não se enquadram no padrão cultural de beleza que deve ser descostruído, teve sua ilustração mais clara no caso do Rodeio de Gordas, ocorrido no torneio universitário Interunesp. O caso extrapola em muito uma mera situação de machismo, sendo um exemplo claro, a um só tempo da emergência e da decorrência, do que Boaventura de Sousa Santos (sociólogo português o qual tenho lido muito nas últimas semanas) denomina fascismo social:

"O fascismo social é um conjunto de processos sociais mediante os quais grandes setores da população são irreversivelmente mantidos no exterior ou expulsos de qualquer tipo de contrato social. (...) Se se permitir que a lógica do mercado transborde da economia para todas as áreas da vida social e se torne o único critério para a interação social e política de sucesso, a sociedade tornar-se-á ingovernável e eticamente repugnante, e, seja qual for a ordem que venha a se efetivar, ela será do tipo fascista" (SANTOS, B. S., A gramática do tempo: para uma nova cultura política, p. 192-193).



É difícil avaliar qual o real risco da difusão ou não desse 'fascismo social' de Boaventura. Contudo, cabe apropriar-se da idéia na luta pela superação de suas possíveis origens: uma postura político-cultural conservadora, legitimadora de determinados comportamentos segregadores, opressores, preconceituosos; e a prevalência da lógica do mercado nas relações sociais (Habermas talvez chamaria isso de 'colonização do mundo da vida pelo Sistema').

Este blog (creio poder falar em nome de todos) repudia os dois casos supracitados, em especial o segundo, pela violência física, pelo constragimento explícito, pela humilhação desumana.

Um abraço de solidariedade às mulheres vítimas dessa atitude deplorável.

Enrico Bueno.


PS: Mafalda para descontrair (?)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Recomendação

Bom dia, meus caros.

Venho recomendar-lhes o blog do Coletivo Miséria, que traz crítica política e social em quadrinhos que desafiam as regras da polidez e da correção. Muito interessante para se divertir e refletir.

O endereço dos caras é: http://miseriahq.blogspot.com

Abaixo, reproduzo uma charge do blog.
Abraços,

Enrico.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As diferentes - e belas - correntes da música dos anos 70

Meus caros, nesta sexta vos convido para uma apreciação, não só sonóra, mas também visual, estética, olfativa, sensorial, de algumas músicas dos anos 70 - essa maravilha de danças coreografadas, discotecas, muito rock'n'roll, e por ai vai.

Primeiro, trago para vocês a sensibilidade dos The Manhattans, com a música Let's kiss and say goodbye.

Imagine o quão carinhoso e sentimental é o autor de efusiva letra. Que forma mais bela, discreta, silenciosa, sincera, aconchegante de se terminar um relacionamento! As lembranças, a última dança juntos e tudo isso totalmente incorporado na leveza dos passos dos integrantes, na docilidade da voz do cantor.



[Spoken]
This has got to be the saddest day of my life
I called you here today for a bit of bad news
I won't be able to see you anymore
Because of my obligations, and the ties that you have
We've been meeting here everyday
And since this is our last day together
I wanna hold you just one more time
When you turn and walk away, don't look back
I wanna remember you just like this
Let's just kiss and say goodbye

[Song]
I had to meet you here today
There's just so many things to say
Please don't stop me 'til I'm through
This is something I hate to do
We've been meeting here so long
I guess what we done, oh was wrong
Please darlin', don't you cry
Let's just kiss and say goodbye (Goodbye)

Many months have passed us by
(I'm gonna miss you)
I'm gonna miss you, I can't lie
(I'm gonna miss you)
I've got ties, and so do you
I just think this is the thing to do
It's gonna hurt me, I can't lie
Maybe you'll meet, you'll meet another guy
Understand me, won't you try, try, try, try, try, try, try
Let's just kiss and say goodbye (Goodbye)

(I'm gonna miss you)
I'm gonna miss you, I can't lie
(I'm gonna miss you)
Understand me, won't you try
(I'm gonna miss you)
It's gonna hurt me, I can't lie
(I'm gonna miss you)
Take my hankerchief, wipe your eyes
(I'm gonna miss you)
Maybe you'll find, you'll find another guy
(I'm gonna miss you)
Let's kiss and say goodbye, pretty baby
(I'm gonna miss you)
Please, don't you cry
(I'm gonna miss you)
Understand me, won't you try
(I'm gonna miss you)
Let's just kiss
And say goodbye


Que coisa linda e sincera não é mesmo meu caros?! Agora, limpemos as lágrimas derramadas no canto do rosto! Dando sequência então, vamos para os grupos que com brilhantismo usam seus vestidos 'rendados', - é essa a descrição?! - os cabelos cacheados e o malandro americano com suas efusivas danças de discoteca. Uma estética tão própria que só mesmo o Play Back pode proporcionar, dando espaço assim para a performance única deste grupo, que apenas simbolizam todo o movimento de uma época.

Simplesmente sensacional:


Bonney M - Ma Baker

Acompanhe a letra AQUI


Da vontade de sair dançando na sala não é mesmo?! Contagiante no mínimo.

E por último, vamos ao nosso rock'n'roll. Tão estereotipado pela sua transgressão, esse grupo nos mostra o singelo amor de um rapaz por uma moça(?!). Vemos na verdade a solidão desses grupos, isolados na sua época pela imagem que os outros tem deles. A imagem do rebelde, do drogado, etc., na verdade são reflexos da sua solidão e da falta do carinho de uma outra pessoa, seja quem for!

Emocionante!

Kinks - Lola

I met her in a club down in old Soho
Where you drink champagne and it tastes just like cherry-cola [LP version:
Coca-Cola]
C-O-L-A cola
She walked up to me and she asked me to dance
I asked her her name and in a DARK BROWN voice she said Lola
L-O-L-A Lola lo-lo-lo-lo Lola

Well I'm not the world's most physical guy
But when she squeezed me tight she nearly broke my spine
Oh my Lola lo-lo-lo-lo Lola
Well I'm not dumb but I can't understand
Why she walked like a woman and talked like a man
Oh my Lola lo-lo-lo-lo Lola lo-lo-lo-lo Lola

Well we drank champagne and danced all night
Under electric candlelight
She picked me up and sat me on her knee
And said little boy won't you come home with me
Well I'm not the world's most passionate guy
But when I looked in her eyes well I almost fell for my Lola
Lo-lo-lo-lo Lola lo-lo-lo-lo Lola
Lola lo-lo-lo-lo Lola lo-lo-lo-lo Lola

I pushed her away
I walked to the door
I fell to the floor
I got down on my knees
Well I looked at her and she at me

Well that's the way that I want it to stay
And I'll always want it to be that way for my Lola
Lo-lo-lo-lo Lola
Girls will be boys and boys will be girls
It's a mixed up muddled up shook up world except for Lola
Lo-lo-lo-lo Lola

Well I'd left home just a week before
And I'd never ever kissed a woman before
But Lola smiled and took me by the hand
And said little boy I'm gonna make you a man

Well I'm not the world's most masculine man
But I know what I am and IN BED I'm a man
And so is Lola
Lo-lo-lo-lo Lola lo-lo-lo-lo Lola
Lola lo-lo-lo-lo Lola lo-lo-lo-lo Lola 


Vejam então, deêm mais amor e atenção aos rockeiros, eles são pequenos seres indefesos.
Um bom final de semana a todos vocês meus caros!!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A favor da vida

Ninguém mentalmente são é contra a vida.
Repito: ninguém mentalmente são é contra a vida

(por mentalmente são considero aqueles que não sofram de transtornos psíquicos que interfiram na sua capacidade de discernimento).

Ora, se ninguém mentalmente são é contra vida e consideramos que os dois candidatos a presidência não sofrem de transtornos psíquicos graves, porque esse tema tomou conta do debate eleitoral?


Vamos por pontos: o primeiro é que "ser contra a vida" não passa de um eufemismo para "ser a favor do aborto" mas, existe alguém que seja simplesmente "a favor do aborto"? Existe alguém que queira "matar criancinhas" ou fazer "holocausto dos bebês"? (usando os termos correntes dessa eleição bizarra).

- Ai Josicleide, você é favor do aborto?
- Tipo assim, sou super a favor! Acho que todo mundo devia fazer porque tá super em voga, é a tendência pra esse verão. Vai dizer que você nunca fez menina?

Não. ninguém é simplesmente "a favor do aborto". Nenhuma mulher faz aborto porque acordou com vontade ou porque tá na moda. Existem muitos motivos (que não caberia elencar aqui) que levam uma mulher a decidir abortar e, maioria delas que decide fazer isso, acaba fazendo. As que tem grana pagam um médico que faça e quem não tem grana recorre aos mais diversos métodos alternativos (de agulha de tricô a chute na barriga).

Fato é que cerca de duas mulheres são internadas por dia vítimas de métodos alternativos e centenas morrem todo ano pelo mesmo motivo. E o que o Estado deve fazer? Essas eleições dão a entender que o Estado deveria prender essas mulheres ou fingir que nada está acontecendo. Fazendo isso não estariam atentando contra a vida delas também? Uma mulher merece morrer por ter feito um aborto?

Convido vocês, junto comigo, a vestirem os lindos óculos da antropologia: existe algo chamado relativismo cultural. Em culturas distintas ou mesmo dentro de uma mesma cultura (como é o caso) pessoas costumam ter interpretações distintas sobre um mesmo conceito. Usando um exemplo bem chulo, mas didático: algumas etnias indígenas usam o alargador na orelha para simbolizar poder, enquanto no nosso meio urbano é usado como símbolo de diferença ou como ornamento.

E o que o aborto tem a ver com o alargador do índio? Tudo.


O conceito de "vida" é muito, mas muito diverso: muito mais que do alargador.

Para uma corrente do budismo tudo que se mexe sozinho tem vida. Ou seja, matar um pernilongo ou a sua mãe são o mesmo tipo de atentado a vida. Para os nazistas apenas os arianos tinham direito a vida, ou seja, judeus e negros podiam ser mortos sem problema moral algum. E assim vai...

O que acontece hoje no Brasil? Algumas religiões consideram o feto um ser humano vivo e por isso o aborto seria um atentado contra a vida. Enquanto outras pessoas fazem cálculos de qual mês o feto pode ser considerado vivo e outros ainda dizem que só é vivo depois de ser parido.

1) Todas essas pessoas, com todas essas interpretações sobre a vida, são brasileiras.
2) O Estado brasileiro é laico, assim deve atender as demandas dos brasileiros de todos os credos (aqui abro espaço para ser veementemente criticado pelos ilustres sociólogos e politicólogos visitantes)

Logo....

O Estado deve emergencialmente fazer algo na saúde pública no que diz respeito ao aborto e os candidatos ao governo devem apresentar de forma clara suas propostas sobre isso.

Regulamentar o aborto não vai obrigar ninguém a fazer o aborto. As religiões contrárias ao aborto poderão continuar sendo e seus membros poderão continuar sem fazer aborto. Essas mesmas religiões poderão continuar a defender seu ponto de vista do que é vida e todos aqueles que compartilharem dele não abortarão. Simples. Essa mesma regulamentação vai evitar que as centenas de mulheres que não concordam com essa interpretação da vida de sofrerem sequelas ou de morrerem.

Sem a regulamentação:
Quem não quer abortar não aborta. Quem tem motivos pra abortar vai abortar e pode morrer.

Com a regulamentação:
Quem não quer abortar não aborta. Quem tem motivos pra abortar vai abortar e não vai morrer.

Quais delas é mais "a favor da vida"?
Tendo uma posição que considere o feto uma vida, vamos fazer a conta:
Sem a regulamentação são duas mortes.
Com a regulamentção é uma morte.

sábado, 16 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estado e Crime Organizado em Tropa de Elite 2


Boa tarde, meus caros.

Como muitos sabem, não sou um cinéfilo e pouco entendo de estética cinematográfica. Já adianto, assim, pedidos de desculpas pelas limitações desta postagem. Posto isso, vamos a ela.

Não gostei muito do primeiro Tropa de Elite, por diversos motivos: pelo olhar simplista lançado sobre o problema do crime organizado no Rio, reduzindo-o ao tráfico de drogas; pelo enfoque moralista lançado sobre o consumidor dessas drogas, responsabilizando este pelo problema da criminalidade e da violência; e, consequentemente, pela legitimação da violência policial frente a este caos, cuja culpa é atribuída aos indivíduos que, por questões sociais e psicossociais diversas, se envolvem no consumo e no próprio funcionamento do tráfico. José Padilha, roteirista e diretor, negou por diversas vezes essa intenção, por muitos denominada de 'fascista'. A corrupção policial, embora apontada, não aparece no seio do problema - ou, pelo menos, não é tratada assim pelos personagens envolvidos. Ademais, a referência comum ao 'sistema', na narração de Capitão Nascimento, não se confirma na atuação do próprio personagem, o qual não tenta combater o tal 'sistema', mas permanece no âmbito da culpabilização e da resolução pela força física.



No segundo filme, Padilha parece se dedicar a corrigir alguns desses problemas: o crime organizado não se reduz ao tráfico de drogas, mas envolve uma ampla gama de relações sociais, políticas e econômicas que se dão por fora da legalidade; o problema da criminalidade, portanto, não é individualizado, mas o próprio enredo e a atuação dos personagens demonstram a amplitude 'sistêmica' da questão; a questão, portanto, não é da ausência ou fraqueza de um Estado nesses nichos de domínio do crime organizado, mas um envolvimento perverso do Estado, por meio da corrupção policial, do clientelismo político, da construção de redutos eleitorais, da manipulação midiática, etc. Enfim, o foco deixa de ser individualizante e passa a ser sistêmico - e, nesse sentido, o Sistema não se reduz à política, ou ao poder executivo, mas trata-se de uma rede de relações, na qual diversos segmentos da sociedade tentam fazer valer seus interesses. Assim, a análise simplista é abandonada e a questão da legalização da maconha deixa de ser uma proposta implícita para a solução dos problemas - o próprio Padilha afirmou, em entrevista, ser a favor da legalização, mas não por achar que isto seria uma solução ao problema do crime organizado. Além disso, a própria arbitrariedade do uso da força policial ganha, no enredo, um contraponto, dado pelas críticas de Fraga ao sistema carcerário e à postura da polícia carioca.

Há de se destacar, ainda, um enriquecimento do personagem Capitão Nascimento, o qual, de forma descontínua, evolui no decorrer da trama - oscilando entre uma velha postura de resolução pela força com uma visão crítica do 'sistema'. A oscilação tem um fim no clímax da história, em que Nascimento, um personagem em processo de fragilização, formula sua postura frente à relação Estado-polícia-crime. Nesse sentido, é excelente a atuação de Wagner Moura, o melhor trabalho do ator que já vi até agora.

Mas nem tudo são flores. Vejo alguns problemas no segundo filme. Em primeiro lugar, não se aborda explicitamente como o 'sistema' reproduz a marginalização econômica, fator decisivo no desenvolvimento desse tipo de criminalidade. A sujeição dos moradores das favelas às milícias é claramente possibilitada por uma situação de escassez de recursos, de ausência de alternativas de vida - e isso vale tanto para a criança que vira 'avião' quanto para a senhora que aceita transformar sua casa em comitê de campanha eleitoral. Acho limitada uma visão da criminalidade como fruto puro e simples da desigualdade econômica, mas não se pode ignorar que este fator é importante nesse tipo de análise. Apesar das cenas do filme fazerem essa associação, a narração de Nascimento e a luta daqueles que querem a superação não contemplam esse ponto.

Em segundo lugar, vejo um discreto maniqueísmo ideológico em algumas cenas: a postura de defesa dos Direitos Humanos - personificada por Fraga, o 'bem' na história - é associada à esquerda - na sala de Fraga há um quadro escrito 'Marighella Vive!'; há um adesivo do MST que aparece, ao fundo, em uma cena na sala de Fraga; Nascimento se refere a Fraga como 'intelectualzinho de esquerda'. Embora eu seja simpatizante do socialismo, acho complicada a associação esqueda-bem-direitos humanos, até porque muitos atentados à humanidade foram realizados por supostos socialistas.



No mais, recomendo Tropa de Elite 2. E, como alguém que pouco entende de cinema, peço que complementem e critiquem minha análise. Até porque assistir apenas uma vez pode ter sido insuficiente para captar todos os elementos que seriam necessários.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Et moi, et moi, et moi...

Atento as tendências de Maio de 1968, o Beco traz para vocês Jacques Dutronc:



Et moi, et moi, et moi (tradução)

Setecentos milhões de chineses
E eu, e eu, e eu
Com minha vida e minha casinha
Minha dor de cabeça e de fígado
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

Oitenta milhões de indonésios
E eu, e eu, e eu
Com meu carro e minhas crianças
E seu cachorro que late
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

Trezentos ou quatrocentos milhões de negros
E eu, e eu, e eu
Que vou me bronzear
Na sauna pra perder peso
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

Trezentos milhões de soviéticos
E eu, e eu, e eu
Com minhas manias e meus tiques
Deitado no meu colchão de plumas de ganso
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

Cinquenta milhões de pessoas imperfeitas
E eu, e eu, e eu
Que assisto Catherine Langeais
Na televisão de casa
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

Novecentos milhões de mortos de fome
E eu, e eu, e eu
Com meu regime vegetariano
Bebendo todo o whisky que eu tiver
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

Cinquenta milhões de sul-americanos
E eu, e eu, e eu
Pelado dentro da banheira
Com uma menina que me esfrega
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

Cinquenta milhões de vietnamitas
E eu, e eu, e eu
Domingo saio para caçar coelhos
Com meu fusil, eu sou um herói
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

Cinquenta bilhões de pequenos marcianos
E eu, e eu, e eu
Um porra de um parisiense
Esperando que meu cheque caia no final do mês
Eu lembro depois eu esqueço
É a vida, é a vida

sábado, 9 de outubro de 2010

Onda conservadora?


Esses dias, o deputado reeleito Chico Alencar (PSOL-RJ) disse em uma entrevista que o país vive hoje uma onda conservadora. Embora Alencar não tenha explicado muito seu ponto de vista, confesso que ando há algum tempo com a mesma impressão - e admito que pode ser apenas uma impressão, mas não deixa de me assustar.

Tenho essa sensação, em primeiro lugar, pela fácil difusão do "medo vermelho", agora sob roupagem informatizada. E-mails difundem que Dilma não pode ser eleita e o argumento utilizado não é a fragilidade do seu projeto, a crise ideológica de seu partido ou sua concepção de Estado. O argumento, em algumas das vezes, é o do medo da iminente ditadura vermelha, que não tem fundamento nenhum. Em outras ocasiões, os e-mails espalham um moralismo infundado, desqualificando Dilma por ter sido oposição armada à ditadura (há alguns anos isso seria motivo de orgulho) ou por ter, supostamente, tido uma amante lésbica (pouco importa se a informação é verdadeira ou não, o que assusta é a postura preconceituosa que faz com que 'ser lésbica' esteja relacionado com 'ser má pessoa', ou algo assim). Esses e-mails extrapolaram a esfera do "cyberespaço" e chegaram, inclusive, à homilia de um padre da Canção Nova, transmitida ao vivo - veja que o padre inicia seu discurso dizendo que embasa seu posicionamento em e-mails. Observa-se, ainda, um profundo preconceito de classe em relação ao PT e, principalmente, aos atendidos pelo Bolsa Família - esses pobres, folgados, que não vão querer mais crescer na vida e que votam pensando apenas neles, não no país.

Em segundo lugar, o espaço ocupado por argumentos religiosos no debate político é exagerado e empobrece o debate. O problema não é o inevitável diálogo entre política e instituições religiosas - até porque as pessoas que votam são as mesmas que crêem, e as igrejas acabam, muitas vezes, constituindo-se espaços de reunião, criando meios de reivindicação a partir das instituições, desenvolvendo formas específicas de pressão institucional, etc. O problema é que os argumentos religiosos estão norteando o debate político, empobrecendo-o, reduzindo-o. Os principais temas debatidos vêm sendo o aborto e a defesa da família. O primeiro, nem chega a ser debatido, apenas é motivo de divisão entre os "contra" e os "a favor"; esquece-se que já há uma lei do aborto, mas que, pela grande incidência de mulheres prejudicando suas vidas ao fazer abortos fora da lei, alguns partidos defendem que a lei precisa ser revista, repensada, debatida exaustivamente. Não pode ser moeda eleitoral nessa discussão mal refletida. O segundo tema - a defesa da família - revela novamente um moralismo conservador, ao intencionar impedir os homossexuais de terem os mesmos direitos civis dos heterossexuais, em uma atitude profundamente preconceituosa por parte daqueles que têm saudades dos tempos da cristandade, em que os critérios da Igreja eram os critérios do Estado.

Em terceiro lugar, eventos isolados parecem indicar a emergência dessa onda conservadora - enfatizo o parecem, pois digo isso de impressão própria. Mas vejamos, por exemplo: o crescente posicionamento pela redução da idade penal; o caso Geisy Arruda, que revelou uma repressão coletiva moralista e humilhante; a bomba que explodiu na Parada Gay do ano passado, por um grupo denominado Impacto Hooligan; as reações elitistas à eleição de Tiririca, que a atribuem à "burrice do povo", e tantos outros.

Por fim, trago dois "documentos" relacionados com o exposto até então. O primeiro é uma foto emblemática - quem segue meu twitter (@enricobueno), já viu - do calçadão carioca com dois candidatos em campanha (a foto é do blog Duas Fridas). Do lado direito, temos Chico Alencar, do PSOL, com a camiseta de Gandhi; do lado esquerdo, Jair Bolsonaro, do PMDB, veste uma camiseta com a foto de Médici, o militar que governou o Brasil no momento mais intenso da ditadura (1969-1974). A foto oferece muitos elementos de análise, bem apontados pelo blog de onde a tirei. Mas quero trazer aqui que Bolsonaro foi reeleito com 120 mil votos. Alguém que fez panfletagem com a camiseta de Médici não deve ter escondido sua postura conservadora em campanha, e mesmo assim não perde em popularidade. Assustador. O outro "documento" é um texto, falsamente atribuído a Millôr Fernandes, que está circulando por e-mail. É uma breve apologia nostálgica à Ditadura Militar, que é repassada sistematicamente pelos que simpatizam com suas linhas.

Deixo, abaixo, os dois "anexos".

Agradeço sua atenção e aguardo suas críticas.

Abraços,

Enrico.



1. Foto:
Obs: clique sobre a foto e a veja ampliada em outra janela. Na camiseta de Bolsonaro está escrito "Era feliz... e sabia".


2. Texto

"Militares, nunca mais!" (Millôr Fernandes [falso])

Ainda bem que hoje tudo é diferente, temos um PT sério, honesto e progressista. Cresce o grupo que não quer mais ver militares no poder, pelas razões abaixo.

Militar no poder, nunca mais. Só fizeram lambanças.

Tiraram o cenário bucólico que havia na Via Dutra de uma só pista, que foi duplicada e recebeu melhorias; acabaram aí com as emoções das curvas mal construídas e os solavancos estimulantes provocados pelos buracos na pista.

Não satisfeitos, fizeram o mesmo com a rodovia Rio-Juiz de Fora.

Com a construção da ponte Rio-Niterói, acabaram com o sonho de crescimento da pequena Magé, cidade nos fundos da Baía de Guanabara, que era caminho obrigatório dos que iam de um lado ao outro e não queriam sofrer na espera da barcaça que levava meia dúzia de carros.

Criaram esse maldito do Proálcool, com o medo infundado de que o petróleo vai acabar um dia. Paraapressar logo o fim do chamado "ouro negro", deram um impulso gigantesco à Petrobras, que passou a extrair petróleo 10 vezes mais (de 75 mil barris diários, passou a produzir 750 mil); sem contar o fedor de bêbado que os carros passaram a ter com o uso do álcool.

Enfiaram o Brasil numa disputa estressante, levando-o da posição de 45ª economia do mundo para a posição de 8ª, trazendo com isso uma nociva onda de inveja mundial.

Tiraram o sossego da vida ociosa de 13 milhões de brasileiros, que, com a gigantesca oferta de emprego, ficaram sem a desculpa do "estou desempregado". Em 1971, no governo militar, o Brasil alcançou a posição de segundo maior construtor de navios no mundo. Uma desgraça completa.

Com gigantesca oferta de empregos, baixaram consideravelmente os índices de roubos e assaltos. Sem aquela emoção de estar na iminência de sofrer um assalto, os nossos passeios perderem completamente a graça.

Alteraram profundamente a topografia do território brasileiro com a construção de hidrelétricas gigantescas (Tucuruí, Ilha Solteira, Jupiá e Itaipu), o que obrigou as nossas crianças a aprenderem sobre essas bobagens de nomes esquisitos. O Brasil, que antes vivia o romantismo do jantar à luz de velas ou de lamparinas, teve que tolerar a instalação de milhares de torres de alta tensão espalhadas pelo seu território, para levar energia elétrica a quem nunca precisou disso.

Implementaram os metrôs de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, deixando tudo pronto para atazanar a vida dos cidadãos e o trânsito nestas cidades.

Esses militares baniram do Brasil pessoas bem intencionadas, que queriam implantar aqui um regime político que fazia a felicidade dos russos, cubanos e chineses, em cujos países as pessoas se reuniam em fila nas ruas apenas para bater-papo, e ninguém pensava em sair a passeio para nenhum outro país. Foram demasiadamente rigorosos com os simpatizantes daqueles regimes, só porque soltaram uma "bombinha de São João" no aeroporto de Guararapes, onde alguns inocentes morreram de susto apenas.

Os militares são muito estressados.
Fazem tempestade em copo d'água só por causa de alguns assaltos a bancos, sequestros de diplomatas.. . ninharias que qualquer delegado de polícia resolve.

Tiraram-nos o interesse pela Política, vez que os deputados e senadores daquela época não nos brindavam com esses deliciosos escândalos que fazem a alegria da gente hoje. Os de hoje é que são bons e honestos.

Inventaram um tal de FGTS, PIS e PASEP, só para criar atritos entre empregados e patrões. Cadê os Impostos de hoje, isto eles não fizeram!

Para piorar a coisa, ainda criaram o MOBRAL, que ensinou milhões a ler e escrever, aumentando mais ainda o poder desses empregados contra os seus patrões. Nem o homem do campo escapou, porque criaram para ele o FUNRURAL, tirando do pobre coitado a doce preocupação que ele tinha com o seu futuro. Era tão bom imaginar-se velhinho, pedindo esmolas para sobreviver.

Outras desgraças criadas pelos militares:
Trouxeram a TV a cores para as nossas casas, pelas mãos e burrice de um Oficial do Exército, formado pelo Instituto Militar de Engenharia, que inventou o sistema PAL-M.

Criaram ainda a EMBRATEL; TELEBRÁS; ANGRA I e II; INPS, IAPAS, DATAPREV, LBA, FUNABEM. Tudo isso e muito mais os militares fizeram em 22 anos de governo. Pensa!!

Depois que entregaram o governo aos civis, estes, nos vinte anos seguintes, não fizeram nem 10% dos estragos que os militares fizeram.

Graças a Deus! Ainda bem que os militares não continuaram no poder!!

Tem muito mais coisas horrorosas que eles, os militares, criaram, mas o que está escrito acima é o bastante para dizermos: "Militar no poder, nunca mais!!!", exceto os domesticados.

Ainda bem que hoje estão assumindo o poder pessoas compromissadas com os interesses do Povo. Militares jamais.

Os políticos de hoje pensam apenas em ajudar as pessoas e foram injustamente prejudicadas quando enfrentavam os militares com armas as escondidas com bandeiras de socialismo. Os países socialistas são exemplos a todos.


ALÉM DISSO, NENHUM DESSES MILITARES CONSEGUIU FICAR MILIONÁRIO.

É MUITA INCOMPETÊNCIA!!!




Esclarecimento: essa postagem é expressão de um desconforto subjetivo, não uma análise sociológica ou politológica. As situações mencionadas, portanto, são fatores que contribuíram a este desconforto, não elementos de uma análise criteriosa.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O que será?

Ultimamente, pelo menos pra mim e meus companheiros de blog, compartilhamos de um sentimento de medo em relação as perspectivas de futuro, seja este futuro relacionado a qualquer âmbito de nossas vidas.

Tendo isso em vista, fico pensando no esquecimento de muitas "lutas" e conquistas recentes que tivemos: buscas de direito e igualdade, busca de uma democracia mesmo que até agora ilusória, liberdade de expressão, luta contra os vários tipos de repressão - repressões estas que, infelizmente, hoje vemos retratadas em vários indícios de apoio popular: vide o sucesso do filme do Tropa de Elite, principalmente pela euforia criada de seu caráter fascista, quando na verdade, ao menos no meu ver, deveria ser feito a crítica em cima desse mesmo caráter, baseada na repulsa de atitudes de pressão em qualquer esfera.

Sendo assim, vendo o descomprometimento e o esquecimento de todas essas conquistas e lutas:


O que foi feito do "O que será?"
Que resultado somos das promessas dos que passaram?
O que fizemos com o sangue derramado?
O que diriam os que pensavam e aclamavam "O que será?"

Breve esquecimento do passado ainda presente

Lavamos as mãos do esforço de outrora
E nos sentamos vazios em nossas cadeiras

Deixemos descobertas as marcas na parede!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Greve dos Bancários

Bom, ultimamente cada senhor desse blog tem, talvez sem perceber, criado uma linha específica de postagem. As vezes até mesmo pelo título estamos conseguindo identificar quem é o ilustre 'postador'.

Sendo assim, para fugir da minha habitual linha de poesias, arte e tals, vou me intrometer na área dos outros.

Com a atual greve dos bancários podemos discorrer sobre alguns processos burocráticos que vem, há tempos, enfraquecendo a moeda de troca, de barganha, especificamente dessa classe. A modernidade, a tecnologia, vem nos oferecendo muitas oportunidades, como espaços de opinião 'paralelos' como os blogs, facilidades cotidianas, etc.

Há algum tempo começou uma aceleração do sistema bancário através de seus sites, gerenciadores financeiros, uso dos caixa eletrônicos muito incentivados dentro das agências, etc. Hoje vemos que todo esse processo desencadeou, como dito, no esvaziamento parcial da pressão de greve primeiramente exercida pelos bancários. Ou seja, a paralisação que num primeiro momento era sentida de forma imediata e brusca na sociedade, agora, a cada avanço da virtualidade no setor bancário vemos a proporção inversa da força dos comandos de greve.

Não sei até que ponto os banqueiros se sentem fortemente pressionados pelo atual sistema de greve tendo em vista todo esse entorno, já que a grande parte das transações e funcionamento dos bancos continuam operando quase que normalmente fora do âmbito físico das agências. Não há dúvida que a parte da sociedade que mais sente essa paralisação são as camadas mais baixas, que dependem dos serviços bancários para recebimento de salários, pagamentos comuns, mesmo que realizados em lotéricas, etc. Contudo, é essa mesma camada que exerce menos pressão sobre os banqueiros - não há aqui uma crítica. Os banqueiros, na sua totalidade estão preocupados com as grandes transações e investimentos que não dependem mais diretamente dos bancários.

Vemos então o sistema capitalista se transformando e se adequando para um resistência básica até as lutas garantidas na constituição aos trabalhadores. O principal ponto que queria colocar é justamente esse, tomando como exemplo o caso específico dos bancários. Como pensar então em processos de lutas sociais se o próprio sistema vem criando, de longa data, mecanismos que teoricamente anulam os próprios movimentos, sem enfrentá-los. Mecanismos que se descartam os discursos por não terem que ouví-los.

Nessas horas que se constata por muitas pessoas a impotência diante do todo, se conformando da situação atual e colocando-a como soberana, sem saída. Bom, se pensarmos assim então, para que dar continuidade  na própria vida em um sistema totalmente injusto e manipulador? O que nos resta é nos escondermos realmente na nossa individualidade e enquanto criticamos posturas políticas nestes espaços, vamos para a casa e ficamos totalmente transtornados por que os bancos estão em greve e não podem realizar os serviços que nos são necessários?

Uma sugestão de greve que coloco: fechamento total das agências juntamente com todos os servidores do sistema financeiro sendo colocados abaixo. Essa é a estratégia: o caos! Não de outra maneira se lutará de forma igualitária contra o sistema.

Nos faltam armas, meus caros. Nos faltam armas...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Chega...

De política....ufa!! Isso cansa...rs..

Ou não?!
O que faz nos definir o sentimento - aquele perante de tudo, da desilusão de um idealismo, da cruel concepção do todo que pertencemos - como cansaço?

Estamos realmente cansados? Desiludidos talvez. Em alguns outros momentos melancólicos. Mas porque sempre trazemos à tona o cansaço?!

Não seria mais fácil dizer ou citar a nossa decadência?! Ou talvez nossa desilusão?! Quem sabe porque aglomeramos tanto sentimentos em um... assim como somos várias pessoas em uma....

Talvez se não aglomerássemos o todo em um só, tudo seria mais claro e fácil de definir. Mas enquanto não conseguimos, definimos este emaranhado de sentimentos como: Cansaço!

Ou Não?!



Não
Fernando Pessoa

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

E agora?

E agora?

Qual o menos pior?

Dilma ou Serra?

Eu voto nulo!

OBS: Deixo as discussões teóricas e complexas para meus colegas. Não tenho saco ou habilidade para tanto

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comentários Breves sobre as Eleições

Boa tarde, meus caros.



Tempos de eleições nos despertam reflexões variadas, tendo eu grande dificuldade na escolha de um tema a ser abordado aqui. Assim, optei por fazer alguns breves comentários, oriundos de reflexões que surgiram em minha nebulosa mente durante esses dias, seja em relação às eleições no geral, em nosso modelo democrático-participativo, seja em relação a estas eleições.



- Em primeiro lugar, é comum ouvir de um público contrário a Lula que seu governo deu apenas continuidade ao governo FHC. Olhando apenas um lado da questão, de um ponto de vista mais amplo e estrutural, não é mentira: o modelo de Estado, a relação entre Estado-mercado, Estado-Igreja, etc. não mudaram; as medidas mais radicais demandadas pelos Movimentos Sociais que compuseram o próprio partido não foram atendidas. Enfim, desse ponto de vista mais amplo do modelo do Estado e sua relação com o mercado, nada mudou. Contudo, de um ponto de vista menos total, olhando com cautela as diversas vertentes que compõem o processo político, há mudanças relevantes: nas políticas sociais (que não divergem apenas quantativamente das do governo anterior, como gosta de dizer Serra), na política externa, nas relações econômicas exteriores (fortalecendo relações sul-sul e o Mercosul), etc. Não se trata, desse ponto de vista menos totalizante, de uma mera continuidade, mas de uma nova condução em alguns setores que compõe a política nacional.

- Em relação a esse público, normalmente médio-classista e pessedebista, eu observo uma fúria e um medo desmedidos e mal-justificáveis em relação à continuidade do governo Lula. A fúria costuma ser pautada nas denúncias de corrupção, nas alianças com figuras controversas e na crença de que a Bolsa-Família gerou um sem-número de folgados que não querem mais trabalhar Concordo que os casos de corrupção e as alianças são absurdos, mas, se o critério for estritamente esse, essas pessoas não deveriam votar no PSDB, que se aliou com ACM, Arruda, Quércia, etc. Isso além dos casos de corrupção em MG, das compras de votos por FHC para reeleição, etc. Em relação ao medo, este é mais infudado ainda: e-mails encaminhados anônimos, pseudo-pensadores e organismos da imprensa dão a entender, quando não dizem, que o PT está se tornando um governo ditatorial, anti-democrático, que vai restringir as liberdades de imprensa, manifestação religiosa, de expressão. Não há fundamento nenhum que justifique isso. O fato de Lula estar discordando explicitamente de um setor da imprensa não o fez tomar medida alguma de censura. O argumento do medo está sendo usado contra a Dilma de maneira abusiva e infundada, ainda que sem a presença ilustre de Regina Duarte.

- Já desconexo desses dois primeiros pontos, quero ressaltar uma terceira reflexão que venho fazendo. Há um e-mail circulando com as biografias dos candidatos ao Senado. Não vou nem discutir aqui a tendenciosidade das biografias, pois por mais que houvesse uma tentativa de imparcialidade por parte do autor do e-mail, é impossível ser imparcial quando se trata de política. Por seu caráter não-dogmático e aparentemente imparcial, este e-mail tem feito muito sucesso, levando muitos amigos meus a repensarem seus votos ao Senado. Contudo, a biografia é colocada na mensagem como fator essencial para escolha do voto. Conhecer o caráter ético do político e seu histórico no poder público é importante, claro. Mas tão importante quanto isso, ou mais, é conhecer a história do partido e a atuação do candidato em seu interior, sua proposta de governo, seus princípios fundantes, sua atuação em âmbito estadual, etc. Se olhamos para a biografia, analisamos apenas a questão moral, e não político-programática do candidato, o que pode ser perigoso.

- Sempre convém lembrar que a democracia vai muito além do voto. Temos direitos políticos adquiridos que nos dão condições para lutar pelas nossas demandas nos quatro anos que virão. Podemos nos organizar, protestar, fazer greve, mandar projetos de leis de iniciativa popular, abaixo-assinados, plebiscitos populares, etc. Há várias formas que a sociedade civil possui para se organizar, dentro e fora das instituições democráticas, na luta pela presença de suas demandas na agenda política. Não podemos nos iludir com a aparência de que a política se faz apenas nas eleições.



- Por fim, deixo claro que meu voto pessoal será em Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. Este blog não é um jornal ou um partido, de forma que cada membro tem sua opinião pessoal que pode ser livremente expressa, como fez meu grande amigo em seu post Kill Dill. Plínio, portanto, é o meu voto, não o candidato defendido pelo blog. Voto em Plínio porque acredito que é possível e necessário que as mudanças caminhem além de questões pontuais ou políticas públicas específicas, mas que afetem a estrutura econômica, a relação capital-trabalho em favor dos prejudicados por essa mesma estrutura. Não falo, ainda, em construção do socialismo, mas em dar um primeiro passo no sentido de contestar e lutar contra o domínio irrestrito do mercado, em favor do trabalhador agrícola e urbano, empregado ou desempregado.

Bom, há mais coisas que eu gostaria de partilhar, mas está ficando enorme.

Por ora, fico por aqui.

Não espero vossa docilidade.

Abraços,

Enrico



Nota póstuma: como já estava subentendido, voto em Dilma no segundo turno.

Debates Históricos

1889



1982 a 1998



2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O udenismo na política brasileira

Embora este blog vise a exposição de questões polêmicas por parte de seus blogueiros e comentadores, não faz mal ocasionalmente trazer textos alheios, quando estes contribuem para os debates deste imundo espaço. O post abaixo é do blog "Confissões aos 40" e faz uma crítica à postura recente adotada pela campanha de José Serra. É um texto interessante para refletir e problematizar as disputas eleitorais e o conteúdo de seu debate, tal como eu já abordei aqui.


O udenismo na política brasileira

(por Patrícia Andrade)

Criada em 1945 e extinta em 1965, a União Democrática Nacional (UDN) nunca deixou de rondar o panorama político do Brasil. Apoiado pelos setores conservadores da sociedade brasileira, o partido de Carlos Lacerda pautava suas ações pela defesa das teses liberais clássicas, pelo discurso amplificado da moral e do moralismo na política e, sobretudo, pelo golpismo.

Orador brilhante, Lacerda liderou uma oposição virulenta contra Getúlio Vargas, que culminou no suicídio do presidente em agosto de 1954. A chamada República do Galeão, inquérito Policial-Militar montado pelos oficiais da Aeronáutica no Galeão para apurar a autoria e os mandantes do atentado que matou o Major Rubem Vaz, não queria saber quem atirou em Lacerda e acabou acertando no militar no famoso caso da Rua Tonelero. Almejava, na verdade, derrubar o presidente Getúlio Vargas e, para tanto, passou por cima de todos os procedimentos legais e jurídicos. Montou uma verdadeira cruzada para sangrar até a morte o governo trabalhista.

Com pouquíssima sintonia com as massas, a UDN costumava lançar mão do artifício do golpismo para se firmar no cenário político. Os udenistas se insurgiram contra Juscelino Kubitschek, apoiaram Jânio Quadros para a presidência e converteram-se em braço civil do golpe militar em 1964. Infelizmente, o discurso radical de direita, que tem como cerne o julgamento moral e agressivo dos adversários, dando ênfase a uma só versão dos fatos e condenando a priori os desafetos, continua vivo na política brasileira.

O espírito de Carlos Lacerda, vez ou outra, reencarna em algumas figuras oposicionistas. Já reencarnou nos petistas, quando estes estavam nas trincheiras da oposição, e, nos últimos anos, esteve presente nas atuações de lideranças tucanas como Arthur Virgílio, José Agripino, Tasso Jereissati e Sérgio Guerra. Mais recentemente, incorporou-se ao candidato do PSDB à presidência José Serra, que parece se sentir confortável vestindo a fantasia de maestro da famosa banda de música da UDN.

Ao se arvorar em líder de uma insidiosa cruzada em nome da moral e da ética na política brasileira em pleno processo eleitoral, José Serra parece ter feito opção por arquivar de vez seu passado de lutas nas filas da esquerda democrática. Dando curso a teses de “golpismo chavista”, de “golpismo contra a mídia” e até disseminando o terror contido na boataria de que a adversária Dilma Rousseff poderia hipoteticamente se insurgir contra a liberdade da prática religiosa, o presidenciável tucano revoga sua biografia e se alinha com o que há de mais obscurantista e odiento na política.

Em paralelo a essa escalada verborrágica de direita, Serra segue com arroubos populistas e apresenta propostas como a do 13º salário do Bolsa-Família (programa antes duramente criticado pelos tucanos), o aumento do salário mínimo além das possibilidades de caixa da Previdência Social e de aposentadorias e pensões além do limite previsto no Orçamento da União.

O discurso moralista do udenismo é nocivo não porque seja pouco relevante a luta contra a roubalheira e pela ética na política. Essa bandeira é de fundamental importância e todos nós devemos defendê-la com vigor, exigindo a discussão séria e aprofundada de uma ampla reforma política, a adoção de mecanismos mais eficazes de controle das ações do Poder Público em todas as suas instâncias e de uma campanha educativa sobre os riscos dessa corrupção endêmica que assola o País. O moralismo desenfreado, passional e histérico da UDN e de seus neo-seguidores é perigoso porque passa por cima dos ritos democráticos e não contempla o direito de defesa das pessoas, julgando e condenando previamente todos os que não estão em suas fileiras. A oposição, nos últimos anos, agiu única e exclusivamente assim: de forma histriônica, sem apresentar qualquer proposta alternativa. Jogou o jogo do poder pelo poder – e só.

Não é saudável para a jovem democracia brasileira que o ambiente político esteja constantemente contaminado pelo fantasma da UDN. O espírito conciliatório do velho PSD deveria dar as caras de vez em quando também. Está faltando à nossa oposição um pouco mais de parcimônia, equilíbrio, espírito propositivo e construtivo de homens públicos que tiveram sua formação política nos bancos do PSD, como foi o caso dos saudosos Mário Covas, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Juscelino Kubitschek e, por que não dizer, de meu avô José Martins Rodrigues, líder pessedista na Câmara durante o governo JK.

O Brasil precisa urgentemente de uma oposição forte, consistente e responsável, capaz de ajudar na construção de um País melhor, mais justo, verdadeiramente desenvolvido e com instituições cada vez mais sólidas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Intolerância Religiosa (IV)

Sem sombra de dúvida as maiores vítimas da intolerância religiosa, no Brasil de hoje, são os evangélicos. Não é raro ouvir no ponto de ônibus ou na mesa de uma cantina as dezenas de piadas existentes à respeito da sexualidade ou do modo de se vestir de algumas denominações evangélicas. Assim como a discriminação do uso do véu na França, a discriminação no Brasil se dá para o vestuário de algumas religiões evangélicas que não permitem o uso de calças nem o corte de cabelo curto para as mulheres, com o mesmo discurso de "emancipação feminina" (?) pressupondo, apenas pelo vestuário, que elas seriam subjulgadas e reprimidas.


Frases como "Jura que ele é crente? Mas parece ser tão inteligente!" refletem a consciência coletiva já instaurada de que os evangélicos seriam ignorantes, pouco instruídos e facilmente manipuláveis. E do outro lado, de maneira controversa (creio que devido ao casos recentes de prisão do fundador da IURD Edir Macedo e do casal Hernades, fundadores da Renascer) , a idéia de que todo Pastor seria um charlatão esperando a primeira oportunidade para lucrar com seus fiéis. Sem deslegitmar a prisão dos três, que pelo que parece foi legal, saliento aqui mais uma vez o erro de se generalizar a conduta de milhares de pessoas pelo caso isolado de três delas.

Essa intolerância religiosa parece estar presente em todos os âmbitos: boa parte das pessoas é incapaz de tolerar um evangélico sem alguma reação. Um exemplo recente é do jogador Kaká durante a Copa, diariamente vítima de chacotas à respeito de sua religiosidade e consequentemente sua sexualidade. A qualquer mínima oportunidade ele era de algum modo criticado por suas ações sempre pelo viés religioso.



Na política não é diferente. Muitos reagem com indiganação frente a existência da bancada evangélica no congresso como se, diferentemente da Bancada Ruralista e da Bancada da Bola, ela não pudesse existir. É um erro crasso, como já comentei em outra publicação, confundir o Estado laico com o Estado ateísta. O cidadão evangélico tem o mesmo direito de expressar suas opiniões e razões políticas dentro do campo democrático assim como qualquer um.

A música gospel também é um ótimo exemplo pela intolerância que é recebida. Músicas que pregam as mais diversas ideologias normalmente se não são aceitas, são toleradas em nome da liberdade de expressão. Mas a música gospel, que também prega uma ideologia, normalmente evangélica, nunca é perdoada. Pelo contrário, é usada até mesmo por programas de humor para gerar o riso. Aliás, o riso é o melhor meio de se detectar preconceito. Desde as piadas de judeus e negros até as de pobres e evangélicos, elas são sempre proferidas com tom de superioridade para aqueles socialmente concebidos como inferiores perpetuando as posições de dominante e de dominado. Ao meu ver, a Intolerância Religiosa para com os evangélicos se dá justamente por eles se destoarem da suposta homogeneidade cultural brasileira com fortes bases católicas. Um evangélico se destoa dessa uniformização e, como diria Mary Douglas, representa um perigo. Por representar um perigo é alvo fácil da maioria.


Isso pode ser facilmente percebido nas eleições tanto de 2002 como de 2010: na primeira o candidato Garotinho foi execrado pela mídia assim como perdeu milhares de votos por se denominar evangélico assim como na segunda a candidata Marina evita ao máximo divulgar sua religião ou defendê-la, temendo assim ter o mesmo destino. Por outro lado, Serra fala abertamente ser católico, já tanto FHC como Dilma que supostamente eram ateus passaram também a se denominar católicos. Nosso presidente sempre faz questão de terminar seus discursos evocando Deus ou algum santo. Tudo isso sem nenhum tipo de prejuízo eleitoral.

Ser evangélico no Brasil, hoje, é ser subversivo.

Continua?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vida Acadêmica

Antes de entrar na faculdade, sempre tive a idéia utópica de que a vida universitária seria aquela época e ambiente  de liberdade, de incentivo criativo, de inovação, seja em qualquer área de conhecimento, de integração. Contudo, há cinco anos na faculdade hoje saio com uma visão diferente. 

Pode até ser que seja apenas o meu caso que esteja falando, mas por muito tempo essa minha 'visão' foi sendo jogada abaixo, seja pela dureza da vida acadêmica, seja pela onisciência de muitos professores 'deuses', seja pelos grupos restritos e estereótipos formados pelos próprios alunos.

Hoje somos, ou talvez apenas eu, restringidos a todo e qualquer instante nas nossas criações e pensamentos. Muitos usam a justificativa de que idéias e pensares novos devem ser feitos apenas no doutorado e livre docência. Mas por que esse tipo de determinação e rigidez da vida acadêmica? Há tempo certo para a criação ou há um ordem estabelecida que muitos tem tempo de vê-la questionada? Ou há todo um sistema de hierarquia que reproduz tudo aquilo que criticamos na sociedade?

O que determina uma maturidade, seja da idéia, seja intelectual, seja da vida? O que faz de nossos professores livre docentes, que recebem seus financiamentos de pesquisa, mais capazes de falar sobre as desigualdades das periferias, e não o próprio aluno de primeiro ano que vive essa realidade?

Não estou aqui questionando a validade das metodologias, do raciocínio bem formulado, etc., mas sim a própria validade de argumentação de análise. Neste exemplo, o que nos garante que a realidade vista pelo pesquisador seja mais verdadeira do que a realidade desse aluno? O fato de um ter diploma e o outro não?

Vemos os grupos estudantis, sejam organizações formais ou grupos que se encontram exporadicamente, se fechando entre si, sem espaço de troca, reproduzindo duramente e sem abertura nenhuma suas respectivas linhas ideológicas. Cadê a interação que um dia vislumbrei na universidade?

E esses grupos, além de se formarem entre cursos, como 'rixas', - ex: engenharias x medicina , todos x ciencias sociais, etc. - vão além, se fecham dentro dos próprios cursos: Os esquerdistas x os representantes do Psdb, os 'alienados' x os politicamente ativos. Qual a razão da falta de interação, da troca de informações, da falta de liberdade na argumentação, da POLÍCIA IDEOLÓGICA?!?!

Não reli o texto, mas são uns questionamentos que tenho. Quem sabe com as críticas posso pensar melhor.

Mas as principais perguntas que ficam e ficarão:

-Os limites impostos pelas titulações: até quando são válidos e representam coisas reais?
-As restrições entre si: qual a validade da discussão apenas entre iguais e o rechaçamento dos diferentes para nós que lidamos e falamos tão bem sobre a alteridade?

OBS póstuma: Apenas esclarecendo que estou falando aqui mais no campo informal. Por exemplo: Questiono as diferentes valorações para o mesmo discurso, variando apenas com o grau de titulação. Não fazemos a análise e damos o crédito necessário apenas para o discurso/argumentação em si, mas sim para o seu conjunto, juntamente de autor, renome, titulação, etc.
Longe de mim desvalorizar as titulações e falar que não há diferenciação entre os graus acadêmicos

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nós

Quando a criatividade nos foge, fugimos para o belo:


i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
                                  i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart (i carry it in my heart)


Cenas do filme Candy


E mesmo assim nos falta. Então continuamos:


E quando estamos quase lá, diante de tais eventos, vemos por traz a mediocridade que na qual estamos imersos:



O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Coitados de nós. Não fossem os Fernandos Pessoas, não haveria ninguém para nos esbofetear com nosso própria ignorância.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Post do Leitor

Conforme pedido, disponibilizamos este espaço para o leitor.


Plínio para Miss Brasil
(por Fernando Bizzarro)



Desde o início das campanhas eleitorais, parte significativa da esquerda tem gastado sua saliva para criticar o modelo de distribuição de tempo de TV para os candidatos à Presidência e também os formatos adotados pelas emissoras de televisão durante os debates e as coberturas jornalísticas da campanha. São dois os argumentos fundamentais: o primeiro dá conta de demonstrar que essa desigualdade no acesso aos meios de comunicação durante a campanha eleitoral não passa de uma estratégia da mídia burguesa para cercear os direitos dos candidatos dos trabalhadores durante a campanha, impedindo que estes apresentem suas propostas que contrariam os interesses da mídia e da burguesia a qual ela está vinculada; o segundo argumento, derivado do primeiro, é o de que essa forma de fazer campanha política é, na verdade, antidemocrática, porque não permite que os candidatos disputem os votos dos eleitores em condições de igualdade, valendo-se dos recursos e dos meios de comunicação com equidade, disputando “democraticamente” o voto do eleitor-espectador; consequentemente, Plínio, Zé Maria, Rui Costa Pimenta têm baixíssimo apoio eleitoral justamente porque lhes falta espaço para apresentar suas propostas.

Minha pergunta para quem critica a falsa democracia derivada da desigual utilização dos meios de comunicação é bastante clara: estamos falando de política ou de concurso de miss?

Sim, senhores, concursos de miss. Concursos de miss têm equidade. Todas as candidatas desfilam em trajes de banho, depois em trajes de gala, depois cantam, dançam e falam uma frase extraída diretamente da página 57 de um livro qualquer de citações. Todas fazem as mesmas coisas, têm os mesmos direitos, e deixam para os juízes a função de escolher aquela que melhor corresponde aos predicados exigidos para moças dessa estirpe.

Democracia, eleições, disputa política não são concursos de miss. Dizer que a desigualdade de condições no uso dos meios de comunicação é antidemocrática é um raciocínio falso. Mais verdadeiro é o raciocínio que percebe que a proposta de concurso de miss travestido de democracia é profundamente antipolítica.

Não nos esqueçamos, jamais, que a democracia é um regime da política. E enquanto tal, precisa dar conta dos elementos que compõe a política desde Maquiavel: precisa dar conta das relações de força, da dinâmica da sociedade e, no caso da democracia de massas, de um elemento implacavelmente desigual que é o apoio eleitoral.

Imaginar que só é democrático aquele regime no qual os eleitores se comportam como juízes de um concurso de miss, ou seja, o regime no qual os eleitores observam todos os candidatos igualmente e escolhem os que melhor preenchem os predicados previamente definidos é de uma ingenuidade atroz. A democracia é um regime político e enquanto tal não pode ser feito apenas por Polianas.

Nas últimas 4 eleições para presidente, PT e PSDB concentraram 80% do eleitorado. O PSTU teve 400 mil votos na sua candidatura à Presidente em 2006 (menos que Clodovil). Imaginar que é democrático que ambos disponham do mesmo tempo para apresentar suas propostas é jogar fora a força de cada proposta dentro do contexto democrático. Uma é a proposta de 50 milhões de brasileiros. Outra é a proposta de 30 milhões de brasileiros. Finalmente, a do PCO é a de 80 mil brasileiros. Sugerir que elas devam ter o mesmo tempo de televisão é, como já foi dito, ingênuo e antipolítico.

Por fim, para já esclarecer antes que algum comentário invoque a conclusão já apontada acima: não é o pouco tempo de televisão que faz com que o PSTU, o PSOL, o PCB não conquistem votos. Pelo menos não exclusivamente. Há um exemplo histórico no Brasil que mostra como que tal argumento é absurdo.

O PT nunca foi o partido preferido da burguesia. Pelo contrário, foi principalmente durante a década de 80 a principal esperança socialista no cenário político brasileiro (mesmo que o partido jamais tenha sido de fato socialista). E mesmo assim ganhou eleições, fez bancadas no parlamento, elegeu prefeitos, governadores, e, finalmente, elegeu o presidente da República. E nunca teve tanto tempo de TV assim. Só foi ter mais tempo de TV que o candidato do PSDB em 2006. Em 1989, 1994, 1998 e 2002 tinha menos tempo. E ainda assim ganhou eleições.

É, enfim, um argumento enganador por parte das elites partidárias e ingênuo por parte dos crentes, o de que sua baixíssima votação se deve à campanha da mídia burguesa. Se deve mais, isso sim, à incapacidade desses partidos de articular bases sociais, mobilizar eleitores, criar projetos para o país e falar a língua das pessoas.

Por 2 polegadas a mais, passaram a baiana pra trás...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Breves notas sobre Sarkozy



- A foto, copiada do portal UOL, foi tirada durante um protesto na cidade de Lyon, e traz o presidente francês Nicolás Sarcozy vestido de Napoleão Bonaparte.

- Sarkozy não vive seus dias mais populares, na semana em que seus correligionários legisladores tentam aprovar uma reforma da aposentadoria que precariza o direito dos trabalhadores e em que seu Senado aprovou a restrição do uso do véu nas ruas.

- Sarkozy, defendendo que o Estado é laico, põe em prática o Estado ateu, intolerante e repressor - comparando-se, talvez, à intolerância presente no interior de grupos religiosos extremistas. Caberia ao nosso colega estudioso das religiões aprofundar o tema.

- Na imagem napoleônica, o nome do imperador é trazido como Bonapartheid. Sarkozy, segundo o protesto, seria a síntese entre uma postura napoleônica e uma tendência à segregação e constrangimento étnico. (Sobre Sarkozy e o bonapartismo, ver aqui).

- Na família de Sarcozy, o motivo da alegria fica por conta de Carla Bruni, elogiada por Woody Allen em sua nova produção.

Sarkozy, não por acaso, bate recordes de impopularidade.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pablo Neruda - Poema XX




Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância
Gira o vento da noite pelo céu e canta
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Eu a quiz e por vezes ela também me quiz
Em noites como esta, apertei-a em meus braços
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito
Ela me quiz e as vezes eu também a queria
Como não ter amado seus grandes olhos fixos ?
Posso escrever os versos mais lindos esta noite
Pensar que não a tenho
Sentir que já a perdi
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela
E cai o verso na alma como orvalho no trigo
Que importa se não pode o meu amor guardá-la ?
A noite está estrelada e ela não está comigo
Isso é tudo
A distância alguém canta. A distância
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Para tê-la mais perto meu olhar a procura
Meu coração procura-a, ela não está comigo
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores
Já não somos os mesmos que antes havíamos sido
Já não a quero, é certo
Porém quanto a queria !
A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido
De outro. será de outro
Como antes de meus beijos
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos
Já não a quero, é certo,
Porém talvez a queira
Ah ! é tão curto o amor, tão demorado o olvido
Porque em noites como esta
Eu a apertei em meus braços,
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Mesmo que seja a última esta dor que me causa
E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito.

Beco

as entradas do beco
das saídas das portas
beco

confluências de opostos
encontros desiguais
beco

escuridão e umidade
luz e apagão
sem saída na parede
fechado para trás
beco

sábado, 11 de setembro de 2010

Eleições sem debate?


Meus caros,

A cada eleição que passa, o Horário Eleitoral mais se aproxima de telenovelas ou séries, com efeitos especiais, suspenses, discussões acaloradas, piadas, apelos emotivos... Falta só o debate político.

O próprio debate entre os candidatos em raros momentos toca em questões relevantes. Por exemplo, Dilma é perguntada sobre o aborto. "Nós temos uma lei de proteção da mulher e uma lei do aborto. É preciso encontrar um equilíbrio entre as duas." Ok, mas o que isso quer dizer? O que é esse equilíbrio? O que o governo federal vai propor ao Congresso a esse respeito? E, se não propor, como vai reagir caso chegue ao Executivo um projeto de lei aprovado pedindo a legalização?

Outro exemplo é José Serra, quando perguntado sobre se pretende realizar alguma privatização. "Eu nunca privatizei nada quando ocupei cargos no executivo". E daí? Não foi essa a pergunta. Você pretende ou não privatizar os Correios, por exemplo? Vai conceder as estradas federais à iniciativa privada? Responda à pergunta, oras.

Serra e Dilma, aliás, quando perguntados por Plínio sobre a desapropriação de terras de latifúndios com mais de mil hectares, adotaram posturas não muito diferentes. O tucano disse: "O Brasil tem terras sobrando, não vou arrumar sarna pra me coçar." Terras sobrando? Onde? Terras devolutas já quase não existem. Se a idéia é passar ao trabalhador as terras improdutivas do interior dos latifúndios, explique então como será feito. Ou então evoque Roberto Campos para contradizer esse modelo de pseudo-reforma agrária. A Lady Lula, por seu turno, respondeu que pretende dar continuidade à política de assentamentos. Uma política lenta que assentou menos que o governo FHC.

E por aí vai. As questões que entram em um nível um pouco mais profundo ficam sem respostas. Privatizar ou não? Por que privatizar ou por que não privatizar? Qual é seu plano para o Pré-Sal? Quais são os limites do Bolsa Família? Quais os empecilhos para um reforma tributária progressiva? Como lidar com o rombo da previdência?

Essas e outras questões pouco vieram à tona até agora - e, quando vieram, foram nos debates, e nunca devidamente respondidas. O horário eleitoral, que seria o espaço para aprofundar com mais tempo alguns temas, fica restrito a cinco tendências principais:

- A luta dos cabos-eleitorais (e aqui Dilma tem Lula, o mais forte deles);
- A luta das biografias (a principal aposta de Serra no início da campanha);
- Acusações éticas visando denegrir o outro (corrupção, dossiê, receitagate, etc.);
- Discursos e cenas emotivas (trabalhadores emocionados, chorando na propaganda de Dilma; Serra emocionado, dizendo que nunca recebeu tanto carinho do povo na vida);
- Promessas pragmáticas que não discutem a essência das questões (quantos empregos, hospitais e escolas serão criados; como vai ser a expansão do Bolsa Família; etc.) - tudo aquilo que não será cumprido na mesma medida em que foi prometido.



Parece ser utópico esperar discussões acerca dos temas. Já há algumas eleições que apenas os candidatos "que não têm nada a perder senão seus grilhões" puxam esse tipo de discussão. Basta ver os debates de 1989, e até de 1994, para ver o quanto se perdeu depois disso. O que significa essa tendência ao discurso vazio?

Significaria que, em muitos momentos, em especial no período eleitoral, o marketing se sobrepõe à política, forçando os partidos que concorrem a adotar estratégias defensivas, escondendo qualquer coisa que possa soar como impopular?

Ou significaria que essas questões são secundárias frente ao fetiche pelo poder, por parte dos partidos?

Ou significaria então que os projetos dos dois principais candidatos não são tão diferentes assim, tendo apenas algumas diferenças pontuais e operacionais?

Ficam algumas hipóteses, e algumas questões.

Abraços e bom final de semana.